domingo, 26 de outubro de 2014

Teatro Municipal de São Paulo - história



Desde o século XVIII a cidade de São Paulo sempre teve um lugar específico para a dramaturgia e óperas. O primeiro deles foi o 'theatro pubblico', mais conhecido como Theatro Opera que ficava no Pateo do Colégio. O Ópera foi demolido em 1870.


Em 4 de setembro de 1874, foi inaugurado, ainda com obras inacabadas, o Theatro S. José. Ele ficava no lugar onde hoje está o shopping Light, no Centro.

Naquela noite foi encenada o drama "Tunica de Nessus", composta por Sizenando Nabuco. A construção do Teatro S. José era esperada desde 1858.

Em 7 de abril daquele ano foi colocada a pedra fundamental do teatro. O local original da construção seria no Paço Municipal.


O teatro S. José foi a principal casa de espetáculos durante 24 anos, porque no dia 15 de fevereiro de 1898 pegou fogo. Órfã de um teatro, a prefeitura logo tratou de providenciar outro. A cidade crescia rapidamente e os paulistanos queriam um teatro no mesmo estilo do que já se via ao redor do mundo, com capacidade para receber principalmente óperas. Mas o desejo só foi realizado 13 anos depois.


Teatro Municipal - Viaduto do Chá 1911 - À esquerda o Teatro S. José onde foi construida a sede da Light.


Delegacia fiscal - antes foi casa de espetáculos. Demolida para completar as obras do Anhangabaú (1940 - 1948). Nesse lugar, que cruza com a Avenida São João, há uma passagem de nível que foi construida em 1949/1950.


Localização do teatros de São Paulo — séculos XVIII, XIX e princípios do século XX: 

7. Casa da Ópera da São Paulo; 
2. Convento c Colégio doa Jesuítas, depois Palácio do Governo; 
3. Rua da Cruz Preta, onde havia o teatrinho do Batuíra, possivelmente no lugar assinalado; 
4. Primitivo Teatro São Jose. O largo chamou-se São Gonçalo, depois da Cadeia o atualmente denomina-se Praça João Mendes; 
5. Primeiramente, no local existia o Teatro Provisório, depois o Sant'Ana; 
6. Teatro São José, onde hoje se encontra a sede da "Light"; 
1. Teatro Municipal; 8. Teatro Santana (que como o anterior, de igual nome, pertenceu ao Conde Alvares Penteado).



Em 22 de fevereiro de 1898 o Estado publicou um edital (abaixo) de concorrência pública "para construção de um theatro municipal", que seria erguido "com todas as exigências de luxo, elegância, acústica e segurança". Também deveriam constar no projeto "café, charutaria e restaurante de primeira ordem", discriminava. O mesmo edital previa isenção de impostos sobre os espetáculos apresentados num prazo de 50 anos, entre outros benefícios concedidos aos administradores do futuro empreendimento.


O Estado de S. Paulo - Terça-feira, 12 de setembro de 1911

Enquanto os políticos e arquitetos cuidavam do custo do projeto, alguns locais eram cogitados para receber o prédio - como a Praça João Mendes atrás da Catedral da Sé, a Praça da República e até o Largo São Francisco. Mas o terreno escolhido foi o Morro do Chá - desapropriado pela Câmara Municipal em 1903. As obras começaram, mas o teatro só foi inaugurado oito anos depois, em 1911, no dia 12 de setembro. Como ainda não era a época dos arranha-céus no centro (os Edifícios Sampaio Moreira e o Martinelli, na Rua Libero Badaró, seriam inaugurados na década seguinte), nada atrapalhava a vista do Municipal, que tinha como vizinhos jardins e casas baixas no Vale do Anhangabaú, ainda sem urbanização.



O “Prédio da Light & Power”, em cartão postal editado pela Foto Postal Colombo, metade da década de 1930. No canto direito, o Ed. João Brícola, inaugurado em 1939 para abrigar as Lojas Mappin Stores.


O Shopping Light e do lado direito parte do Edifício João Brícola, em fotografia de Felipe Alexandre Herculano – Junho/2013


Cento e tres anos do Teatro Municipal. Pôster da estreia - 1911

Não que Hamlet não fosse um tema apropriado. O barítono italiano Titta Ruffo certamente tinha voz à altura da ocasião. Mas para a grande inauguração do Teatro Municipal o público manifestava sua predileção pelo Guarani, na versão do compositor, também italiano, Pietro Mascagni. Mesmo não sendo favorita a ópera adaptada do texto de Shakespeare abriu a temporada e, seguida de O Barbeiro de Sevilha, garantiu semanas de casa lotada. Nem mesmo os salgados 250 mil réis cobrados pelas melhores poltronas inibiu os bolsos paulistanos recheados de dinheiro proveniente do café.




Foto: Arquivo/AE - 1911

São Paulo começava a despontar como uma capital cultural. Até 1900, no lugar hoje ocupado pelo prédio da Light, uma única casa de espetáculos, o Teatro São José, “que não passava de um singelo e pesado casarão” reinava sozinha na mesma Praça Mendes, que onze anos e 4.500 contos de réis depois, receberia o imponente Teatro Municipal, assinado por Francisco Ramos de Azevedo.

A construção deveria, conforme edital de concorrência pública “para construção de um theatro municipal” divulgado no Estadão de 22 de fevereiro de 1898, ser construído “com todas as exigências de luxo, elegância, acústica e segurança”, “café, charutaria e restaurante de primeira ordem” também deveriam constar no projeto. O mesmo edital previa isenção de impostos sobre os espetáculos apresentados num prazo de 50 anos, entre outros benefícios concedidos aos administradores do futuro empreendimento.



Teatro Municipal prestes a ser inaugurado em 1911. Foto: Guilherme Gaensly


Cento e tres anos do Teatro Municipal.



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