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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Cheio de energia

Onde misturamos arte arte oriental e ocidental.



Hongyu Zhang, Rodin Hi 5

Traços em tinta desenhados em um papelão grosso.

A técnica é uma reminiscência da caligrafia oriental. No entanto, esta figura lembra uma outra e parece familiar ...

Sua postura não é idêntica a uma das figuras da famosa escultura de Rodin, As Três Sombras?

Será que Rodin fez desenhos preparatórios em nanquim? No entanto, o estilo parece contemporâneo...



Auguste Rodin, O Sombra (diante da Orangerie)

Na verdade, é uma obra do artista Zhang Hongyu. Quando ele chegou à França em 2004, este jovem pintor chinês percorreu museus para admirar as esculturas que ele conhecia apenas através de livros. 

Diante do escravo morrendo de Michelangelo ou do escravo das Três sombras de Rodin, ele se pergunta: "por que essas obras me impressionam com tanta força? Qual é a sua fonte de energia? "

Para este pintor formado desde cedo na tradição artística chinesa, a energia é essencial. Na arte da caligrafia, inclusive, é nela que se baseia a estética dos traços.



Esquerda: Hongyu Zhang, Hi Rodin 3
Direita: Rodin, Pierre de Wissant

Curioso sobre este mistério usando a pintura, Hongyu embarca em uma série de pinturas que ele chamou de Salve mestres. À partir de fotos que ele mesmo faz, começa a reproduzir os volumes de cada escultura em nanquim. "Cada traço tem a sua própria existência e sua combinação construindo um forma e um espaço. A técnica é bastante semelhante à do escultor ".



Esquerda: Hongyu Zhang, Michelangelo Oi eu
Direita: Michelangelo, O Escravo Morrendo, 1513-1515

Suas pinturas parecem evocar as "radiografias energéticas" das obras. Esta série é um desafio: resolver o mistério dos grandes mestres ao seu próprio modo.



Zhang Hongyu foto 

Para mais informações:


Hongyu Zhang é um pintor chinês de 33 anos, que se estabeleceu em Paris depois de completar seus estudos na École des Beaux Arts em Versalhes em 2008. Sua pintura está enraizada na caligrafia e pintura tradicional chinesa, que foi iniciada em tenra idade. Suas pinturas alcançam esta síntese entre o patrimônio e as técnicas da arte ocidental, especialmente a pintura a óleo e a gravura.


Assista a um vídeo de apresentação do artista : https://www.youtube.com/watch?v=_5dipk8bXT0

Leia uma entrevista com o artista: http://www.artistics.com/magazine/l%E2%80%99art-de-l%E2%80%99encre-questions-%C3%A0-hongyu-zhang?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=news_avril_artips 

fonte: artips

quarta-feira, 5 de março de 2014

Cícero Dias

Cícero Dias (Escada, 5 de março de 1907 — Paris, 28 de janeiro de 2003)


Paris 2003 – Ultimo retrato do abstracionista Cicero Dias


Considerado como um dos pioneiros do modernismo no Brasil, Cícero Dias foi amigo de vários artistas modernistas, tais como o compositor Heitor Villa-Lobos, o artista plástico Ismael Nery e o poeta Murilo Mendes. E, na França, fez amizade com várias personalidades ilustres, a exemplo dos poetas André Breton e Paul Eluard, e do pintor Pablo Picasso, que se encontrava asilado em Paris antes do fim da Guerra Civil Espanhola.



Cicero Dias, Pablo Picasso e Sylvia em Vallauris – 1952


Pablo Picasso tornara-se padrinho de sua filha e, junto a ele, Cícero acompanharia a elaboração do quadro Guernica, o famoso épico sobre aquela guerra. Além disso, pode-se dizer que Picasso exerceu uma influência marcante nos trabalhos do artista pernambucano.



Cicero Dias, 1938 – Em frente a obra de seu amigo Pablo Picasso

Artista brasileiro de grande renome internacional, Cícero Dias combina as mais genuínas tradições pernambucanas com a essência universal da arte. Sempre adotando posições vanguardistas, participa do movimento modernista brasileiro, aproxima-se do surrealismo e é um dos pioneiros dos Abstracionismos no pós-Segunda Guerra.



Utilizando-se das cores tropicais, inspiradas pelo “verde canavial”, “vermelho sangue-de-boi” e “azul céu sertanejo”, ficou conhecido desde cedo como o “Pequeno Chagall dos Trópicos”. Sua obra prima principalmente pela combinação inusitada de elementos aparentemente contraditórios, que são dispostos pelo artista de forma única e original.





Cícero Dias - Biografia

Cícero Dias era neto de senhor de engenho e passou a infância descobrindo a vida na terra, as brincadeiras e os sonhos de criança, a infância de Cícero foi semelhante a de qualquer menino de engenho, com banhos ruidosos, proibidos, as brincadeiras e traquinagens, a presença do cangaço, as visitas aos engenhos vizinhos, a enchente, a escola, a professora, as primeiras letras, as lições de sexo.




Naquela época os senhores de engenho abandonavam em desleixo os filhos, não se importando com a infância. Depois recorriam ao colégio para corrigi-los. Cícero não fugiu a essa regra. Viveu seus primeiros anos pelos engenhos do interior de Pernambuco.




“Eu vivi intensivamente tudo. Por exemplo: onde nós estamos aqui, onde é o Hotel Boa Viagem, eu tenho a impressão que foi a primeira vez que eu vi o mar, porque as famílias se transportavam dos engenhos para as praias. Primeiro fui para Gaibu e depois Boa Viagem. Eu tenho a impressão que a primeira vez que vi o mar, tenho certeza, foi aqui em Boa Viagem, porque tinha o trenziho de burro que saía da estação de Boa Viagem e trazia os passageiros pra orla marítima.”






O mar e a lua são elementos constantes na pintura de Cícero, bem como as lembranças que guarda de tia Angelina e da velha avó, em seu sobrado grande e antigo onde ele passa a residir para terminar o curso primário, já que a escolinha do engenho só alfabetizava os seus alunos.



Ainda menino, vai estudar em Recife; mas é no Rio de Janeiro, onde está a partir de 1920, que o pintor começa a ter contato com o movimento modernista. Estuda arquitetura por três anos, trocando este ofício pela pintura em 1928, ano em que realiza sua primeira exposição. Embora não tenha participado da Semana de 22 (foi o ponto alto da insatisfação com a cultura vigente, submetida a modelos importados, e a reafirmação de busca de uma arte verdadeiramente brasileira, marcando a emergência do Modernismo Brasileiro) devido a sua pouca idade, Cícero é logo reconhecido como membro do grupo, recebendo elogios de nomes como Di Cavalcanti , Ismael Nery, Murilo Mendes, Oswald de Andrade, entre outros.




Em seus primeiros trabalhos, o pintor é tido como pioneiro do surrealismo no Brasil, mesmo sem ter recebido influência direta deste estilo, principalmente pela abordagem do universo da juventude, como as paixões, o carnaval e o sonho. Em 1929, juntamente com Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, organiza em Recife o I Congresso Afro brasileiro, evento comparado ao de 22 pela sua repercussão, consolidando o movimento modernista em Pernambuco. Dois anos mais tarde, participa também do I Salão de Arte Moderna, ao lado de Lúcio Costa, onde causa enorme polêmica com o painel “Eu vi o mundo… Ele começava no Recife”. Devido as cenas de nudez e erotismo, esta obra foi parcialmente depredada pelo público.



Em 1937, Cicero se fixa em Paris, cidade em que passará a maior parte de sua vida. Uma vez na França, o pintor entra em contato com surrealistas, especialmente Paul Eluard e Pablo Picasso. Com este último, estabelece um forte laço de amizade que possibilita, anos mais tarde, a vinda do famoso Guernica para a Bienal paulista de 1953. Preso pelos nazistas durante a ocupação da França, o pernambucano só retorna a Paris depois de um apelo do amigo. Eluard compara Cícero e Picasso dizendo que ambos combinavam a herança de sua terra natal com a realização de uma arte de entendimento mundial.



Ci€™cero Dias, artista plástico, fotografado em 1994, no Hotel Maksoud Plaza,em SP


Durante a década de 40, o pintor se aproxima dos abstracionistas, especialmente dos seguidores da vertente geométrica, e se torna pioneiro deste estilo. Integra-se ao grupo da Galeria Denise-René, juntamente com Victor Vasarely, Serge Poliakoff e outros.




Suas obras do período valorizam a geometria e a abstração, mas mantém o lado lírico e regional, principalmente na escolha das cores tropicais. Entre os anos de 1946 e 1948 realiza em Recife o primeiro mural abstrato da América Latina, no mesmo período em que os muralistas mexicanos pregavam a revolução em seu país. Dentro da polêmica estabelecida entre a arte abstrata e a arte realista revolucionária, o artista provoca, mostrando que não há incompatibilidade entre consciência política e não-figuração.



 “Figura assentada” déc. 1950/1960


A partir dos anos 60, o artista retoma a figuração e a sua temática inicial. A valorização da mulher, símbolo constante na obra de Cícero, remete a sexualidade e ao universo do inconsciente. O último dos modernistas vivo, passa pelos mais diversos estilos artísticos do século XX, mas sempre valorizando a tentativa modernista de combinar os elementos nacionais com uma linguagem universal e vanguardista.